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Calibração de instrumentos de pressão: 4 exemplos práticos

INSTRUMENTAÇÃO • METROLOGIA • PRESSÃO • CALIBRAÇÃO

Calibração de instrumentos de pressão: manômetros, transmissores, pressostatos e válvulas de segurança

A calibração de instrumentos de pressão não se resume à aplicação de alguns pontos e à comparação entre valores. Um processo metrologicamente consistente exige compreender o princípio de funcionamento do instrumento, definir corretamente o mensurando, avaliar os erros, identificar as principais fontes de incerteza e interpretar o resultado de acordo com o critério aplicável.

Neste artigo são apresentados conceitos e procedimentos aplicáveis à calibração de manômetros, transmissores de pressão e pressostatos, além da determinação da pressão de abertura de válvulas de segurança. Também são discutidos erro, repetibilidade, histerese, deadband, registros As Found e As Left, regras de decisão e avaliação da incerteza de medição conforme a estrutura do GUM.

Em resumo: calibrar um instrumento de pressão significa estabelecer a relação entre sua indicação ou atuação e valores fornecidos por um sistema de referência. O erro encontrado deve ser analisado juntamente com a incerteza de medição, a repetibilidade, a resolução e outras influências relevantes ao processo.

O que significa calibrar um instrumento de pressão?

A calibração estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados ou produzidos por um instrumento e valores fornecidos por uma referência de medição.

No caso mais simples, um instrumento sob calibração — frequentemente denominado DUT, Device Under Test — é submetido a uma pressão conhecida, fornecida ou medida por um padrão de referência.

E = PDUT − Pref
Equação (1)
Erro de indicação em uma comparação direta entre o instrumento e a referência.
Onde:
  • E = erro de indicação;
  • PDUT = pressão indicada pelo instrumento sob calibração (Device Under Test);
  • Pref = pressão fornecida ou medida pelo padrão de referência.
As grandezas devem ser expressas na mesma unidade de pressão, como bar, kPa ou MPa.

O erro, entretanto, não deve ser confundido com a incerteza de medição. O erro representa a diferença encontrada na comparação, enquanto a incerteza está associada à dispersão dos valores que podem razoavelmente ser atribuídos ao resultado.

Como funciona um sistema de calibração de pressão?

Gerar pressão Bomba manual, controlador automático, cilindro regulado ou outra fonte adequada.
Medir a referência Padrão de pressão calibrado e adequado à faixa utilizada.
Avaliar o DUT Manômetro, transmissor, pressostato ou outro instrumento sob ensaio.
Registrar Valores aplicados, indicações, erros, condições de ensaio e incerteza.

Em calibradores automáticos, várias dessas funções podem estar integradas no mesmo equipamento. Alguns sistemas geram e controlam pressão, alimentam transmissores em 24 Vcc, medem corrente ou tensão, detectam contatos de pressostatos e registram automaticamente os resultados.

Procedimento geral de calibração

  1. Identificar o instrumento, fabricante, modelo, número de série e TAG.
  2. Confirmar a faixa, unidade de engenharia e tipo de pressão.
  3. Verificar as condições físicas do instrumento, conexões, mangueiras e adaptadores.
  4. Confirmar a compatibilidade do meio de pressão com o padrão e o instrumento.
  5. Realizar a estabilização dos equipamentos quando aplicável.
  6. Zerar o sistema, quando tecnicamente requerido.
  7. Definir os pontos de calibração e a estratégia de subida e descida.
  8. Registrar os resultados As Found antes de qualquer ajuste.
  9. Ajustar somente quando necessário e autorizado.
  10. Executar nova calibração As Left após eventual intervenção.
  11. Avaliar a incerteza e aplicar a regra de decisão definida para o serviço.

Uma sequência frequentemente utilizada como exemplo:
0% → 25% → 50% → 75% → 100%

e posteriormente:
100% → 75% → 50% → 25% → 0%

O número de pontos deve ser definido de acordo com a aplicação, o procedimento utilizado, a criticidade do instrumento e os requisitos metrológicos aplicáveis.

Calibração de manômetros

No manômetro analógico, a grandeza de pressão é convertida em deslocamento mecânico do ponteiro. A avaliação deve considerar não apenas o erro de indicação, mas também resolução da escala, repetibilidade e possíveis diferenças entre os sentidos crescente e decrescente.

Ei = Pind,i − Pref,i
Equação (2)
Erro de indicação do manômetro em determinado ponto da faixa.
Onde:
  • Ei = erro de indicação no ponto de calibração i;
  • Pind,i = pressão indicada pelo manômetro no ponto i;
  • Pref,i = pressão de referência aplicada ou medida no ponto i;
  • i = índice que identifica cada ponto de calibração.

Histerese

Quando um mesmo ponto é atingido nos sentidos crescente e decrescente, a diferença entre as indicações pode ser avaliada por:

Hi = | P↑,i − P↓,i |
Equação (3)
Diferença entre as indicações obtidas nos sentidos crescente e decrescente.
Onde:
  • Hi = histerese observada no ponto i;
  • P↑,i = indicação obtida no ponto i durante o ciclo crescente;
  • P↓,i = indicação obtida no mesmo ponto durante o ciclo decrescente;
  • | | = valor absoluto da diferença;
  • i = índice do ponto de calibração.

Repetibilidade

A repetição das medições permite avaliar a dispersão dos resultados obtidos sob condições semelhantes.

x̄ = 1 n Σ xi
Equação (4)
Média aritmética das observações repetidas.
Onde:
  • x̄ = média aritmética das observações;
  • xi = valor da observação de índice i;
  • n = número total de observações;
  • Σ = símbolo de somatório;
  • i = índice de cada observação individual.
s = √[ Σ(xi − x̄)² / (n − 1) ]
Equação (5)
Desvio-padrão experimental das observações.
Onde:
  • s = desvio-padrão experimental da série de observações;
  • xi = valor da observação de índice i;
  • x̄ = média aritmética das observações;
  • n = número total de observações;
  • n − 1 = número de graus de liberdade associado à estimativa da variância amostral;
  • Σ = somatório das diferenças quadráticas.

Calibração direta e invertida

Na calibração direta, estabelece-se uma pressão de referência e observa-se o valor indicado pelo manômetro.

Na calibração invertida, o operador estabelece visualmente uma marca da escala do manômetro e ajusta gradualmente a pressão até que o ponteiro coincida com esse valor. A pressão real necessária para atingir aquela indicação é então registrada.

Calibração de transmissores de pressão

Nos transmissores, a pressão aplicada é convertida em um sinal elétrico ou digital. Um dos casos mais comuns é a saída analógica padronizada de 4 a 20 mA.

Para uma função de transferência linear:

Iideal = 4 + 16 P − LRV URV − LRV
Equação (6)
Relação linear entre pressão aplicada e corrente de saída para um transmissor 4–20 mA.
Onde:
  • Iideal = corrente ideal de saída do transmissor, em mA;
  • P = pressão aplicada ao transmissor;
  • LRV = Lower Range Value, valor inferior da faixa configurada;
  • URV = Upper Range Value, valor superior da faixa configurada;
  • 4 = corrente correspondente a 0% da faixa, em mA;
  • 16 = span do sinal elétrico, obtido por 20 − 4 mA;
  • URV − LRV = span da variável de processo.

Para um transmissor configurado de 0 a 10 bar:

0 bar 4 mA
2,5 bar 8 mA
5 bar 12 mA
7,5 bar 16 mA
10 bar 20 mA

A corrente medida também pode ser convertida em uma pressão equivalente:

Peq = LRV + Imed − 4 16 (URV − LRV)
Equação (7)
Conversão da corrente medida para pressão equivalente.
Onde:
  • Peq = pressão equivalente calculada a partir da corrente medida;
  • Imed = corrente efetivamente medida na malha, em mA;
  • LRV = valor inferior da faixa configurada;
  • URV = valor superior da faixa configurada;
  • Imed − 4 = parcela da corrente acima do valor de zero vivo de 4 mA;
  • 16 = span do sinal de corrente 4–20 mA.

Transmissores inteligentes e HART

Em transmissores inteligentes, diferentes elementos podem ser analisados separadamente:

  • pressão aplicada ao sensor;
  • variável primária digital;
  • percentual da faixa configurada;
  • saída analógica de 4–20 mA;
  • valores de LRV e URV;
  • eventuais ajustes de zero e span.

Calibrar não significa necessariamente ajustar

A calibração estabelece o comportamento do instrumento. O ajuste é uma intervenção destinada a modificar esse comportamento. Por isso, a condição As Found deve ser registrada antes de qualquer ajuste.

As Found e As Left

As Found Condição em que o instrumento foi encontrado antes de qualquer ajuste ou intervenção.
As Left Condição em que o instrumento foi deixado após eventual ajuste e nova calibração.

Registrar apenas o resultado posterior ao ajuste elimina uma informação importante: o comportamento real do instrumento durante o período anterior de operação.

Calibração de pressostatos

Nos pressostatos, o objetivo principal não é medir uma indicação contínua ao longo de toda a faixa, mas determinar os valores de pressão associados às mudanças de estado do dispositivo.

Trip Pressão na qual ocorre a atuação do pressostato.
Reset Pressão na qual o contato retorna ao estado anterior.
Deadband Diferença entre os valores de atuação e retorno.
DB = Ptrip − Preset
Equação (8)
Deadband de um pressostato cuja atuação ocorre durante o aumento da pressão.
Onde:
  • DB = deadband, diferencial ou faixa entre atuação e retorno;
  • Ptrip = pressão na qual ocorre a atuação do pressostato;
  • Preset = pressão na qual ocorre o retorno do pressostato ao estado anterior.

A pressão deve atravessar progressivamente a região de atuação até que seja detectada a transição do contato. Posteriormente, a pressão é reduzida até a identificação do reset.

A velocidade da rampa também pode influenciar o valor registrado. Uma taxa excessivamente elevada pode provocar diferença entre o instante físico de atuação e o valor de pressão registrado pelo sistema.

Determinação da pressão de abertura de válvulas de segurança

No material técnico analisado, o procedimento relacionado às válvulas concentra-se principalmente na determinação da pressão de abertura.

EPSV = Popen − Pset
Equação (9)
Erro entre a pressão de abertura observada e a pressão nominal de ajuste.
Onde:
  • EPSV = erro associado à pressão de abertura da válvula de segurança;
  • Popen = pressão de abertura observada durante o ensaio;
  • Pset = pressão nominal de ajuste (set pressure) considerada para a válvula.

Atenção: determinar a pressão de abertura não representa, por si só, uma qualificação completa da válvula de segurança. Outros requisitos podem envolver estanqueidade, reassentamento, blowdown, capacidade de descarga, contrapressão e critérios definidos por normas, códigos ou especificações aplicáveis.

Em eventos rápidos, a taxa de aquisição do sistema também deve ser considerada. Quanto maior a velocidade de variação da pressão, maior pode ser a diferença entre o pico físico e o valor efetivamente registrado entre duas amostras consecutivas.

Incerteza de medição

A avaliação da incerteza parte da definição do mensurando e de um modelo matemático que relacione o resultado às grandezas de entrada.

Y = f(X1, X2, …, XN)
Equação (10)
Modelo geral de medição.
Onde:
  • Y = mensurando ou grandeza de saída cujo valor se deseja determinar;
  • f = função matemática que representa o modelo de medição;
  • X1, X2, …, XN = grandezas de entrada que influenciam o resultado;
  • N = número total de grandezas de entrada consideradas no modelo.
Tipo A Avaliação baseada em análise estatística de séries de observações repetidas.
Tipo B Avaliação baseada em outras fontes, como certificados, especificações, resolução e conhecimento do processo.

Para grandezas de entrada consideradas independentes, a incerteza padrão combinada pode ser expressa por:

uc(y) = √[ Σ ( ci u(xi) )² ]
Equação (11)
Combinação das componentes de incerteza considerando os respectivos coeficientes de sensibilidade.
Onde:
  • uc(y) = incerteza padrão combinada associada à estimativa de saída y;
  • y = estimativa do mensurando Y;
  • u(xi) = incerteza padrão associada à estimativa da grandeza de entrada xi;
  • ci = coeficiente de sensibilidade da grandeza de entrada xi;
  • Σ = somatório das contribuições de incerteza consideradas;
  • i = índice de cada grandeza de entrada.
Esta forma é apresentada para grandezas de entrada consideradas independentes; quando houver correlação relevante, devem ser avaliadas também as covariâncias.
ci = ∂f / ∂xi
Equação (12)
Coeficiente de sensibilidade associado a uma grandeza de entrada.
Onde:
  • ci = coeficiente de sensibilidade associado à grandeza de entrada xi;
  • f = função do modelo de medição;
  • ∂f/∂xi = derivada parcial de f em relação a xi;
  • xi = estimativa da grandeza de entrada de índice i;
  • i = índice da grandeza de entrada considerada.

A incerteza expandida é obtida por:

U = k uc
Equação (13)
Relação entre incerteza padrão combinada, fator de abrangência e incerteza expandida.
Onde:
  • U = incerteza expandida;
  • k = fator de abrangência adotado;
  • uc = incerteza padrão combinada.
O fator k deve ser escolhido de acordo com o nível de abrangência requerido e com o tratamento metrológico adotado.

Fontes de incerteza que podem aparecer

  • incerteza do padrão de pressão;
  • resolução do padrão;
  • resolução do instrumento sob calibração;
  • repetibilidade;
  • histerese;
  • temperatura;
  • estabilidade;
  • medição de corrente ou tensão;
  • velocidade de rampa;
  • tempo de aquisição;
  • detecção do instante de comutação ou abertura.

O que mudou no GUM em 2026?

Atualização GUM 2026

A Emenda 1:2026 do JCGM 100:2008 adicionou orientação específica para modelos de medição com não linearidade significativa.

Nessas situações, pode ser necessário considerar termos de ordem superior da expansão de Taylor ou utilizar métodos de Monte Carlo para a propagação da incerteza.

O JCGM GUM-5:2026 complementa essa abordagem com exemplos de aplicação e comparação entre diferentes métodos de avaliação.

Estudos de caso

Importante: os valores numéricos apresentados nos quatro estudos a seguir são simulados exclusivamente para demonstrar a metodologia. As imagens representam de forma didática os arranjos de calibração e ensaio. Os gráficos e tabelas abaixo são construídos diretamente no código da página, permitindo leitura mais nítida e melhor adaptação a diferentes tamanhos de tela.

Exemplo 1 — Manômetro analógico de 0 a 10 bar

Arranjo ilustrativo de calibração de manômetro analógico com fonte controladora de pressão, padrão de referência e manômetro.
Figura 1 — Arranjo ilustrativo da calibração de um manômetro analógico.

Neste exemplo, considera-se um manômetro de 0 a 10 bar avaliado nos sentidos crescente e decrescente. A comparação entre os dois percursos permite observar o erro de indicação e a histerese do instrumento.

Subida e descida

Indicação (bar) Pressão de referência (bar) 0 2 4 6 8 10 0,0 2,5 5,0 7,5 10,0 0,000 2,517 5,033 7,533 10,017 2,483 5,017 7,517 10,017 Histerese Subida Descida

Valores médios simulados dos ciclos crescente e decrescente. A separação entre as curvas representa a histerese observada.

Resumo dos resultados

Maior erro absoluto0,0333 bar
Maior histerese0,0333 bar
Incerteza padrão combinada, uc0,0246 bar
Incerteza expandida, U (k = 2)0,0491 bar

Neste exemplo, a repetibilidade, a resolução e a histerese do próprio manômetro possuem contribuição significativa para o resultado.

Exemplo 2 — Transmissor de 0 a 10 bar / 4–20 mA

Arranjo ilustrativo de calibração de transmissor de pressão 4 a 20 mA com calibrador de pressão, fonte de 24 Vcc e medição de corrente.
Figura 2 — Arranjo ilustrativo da calibração de um transmissor de pressão 4–20 mA.

Considere um transmissor linear configurado de 0 a 10 bar com saída de 4 a 20 mA. No arranjo ilustrado, o transmissor de dois fios é alimentado em 24 Vcc e a corrente é medida em série na malha.

Relação pressão × corrente

Pressão (bar)Corrente ideal (mA)Maior erro simulado
0,040,00250 bar
2,580,00563 bar
5,0120,00938 bar
7,5160,01125 bar
10,0200,01188 bar
Corrente (mA) Pressão aplicada (bar) 0 4 8 12 16 20 24 0,0 2,5 5,0 7,5 10,0 4 mA 8 mA 12 mA 16 mA 20 mA

Relação ideal para a configuração de 0 a 10 bar: 0 bar → 4 mA; 2,5 bar → 8 mA; 5 bar → 12 mA; 7,5 bar → 16 mA; 10 bar → 20 mA.

Resumo dos resultados

Maior erro absoluto0,01188 bar
Incerteza padrão combinada, uc0,00441 bar
Incerteza expandida, U (k = 2)0,00882 bar

Na calibração de transmissores, a pressão aplicada e o sinal elétrico devem ser avaliados em conjunto.

Exemplo 3 — Pressostato ajustado para 6 bar

Arranjo ilustrativo de calibração de pressostato com fonte controladora de pressão e pressostato.
Figura 3 — Arranjo ilustrativo da calibração de um pressostato.

O objetivo é determinar a pressão de atuação (trip), a pressão de retorno (reset) e o deadband resultante.

Trip, reset e deadband

Pressão (bar) Tempo (s) 0 2 4 6 8 10 0 20 40 60 80 100 120 6,04 bar 5,20 bar Trip Reset Deadband

O gráfico representa de forma didática a subida da pressão até o trip e a redução até o reset.

Ciclos simulados

CicloTrip (bar)Reset (bar)Deadband (bar)
16,045,210,83
26,025,170,85
36,055,220,83

Resumo dos resultados

Trip médio6,0367 bar
Reset médio5,2000 bar
Deadband médio0,8367 bar
Incerteza padrão combinada, uc0,0118 bar
Incerteza expandida, U (k = 2)0,0236 bar

Exemplo 4 — Válvula de segurança com pressão nominal de abertura de 8 bar

Arranjo ilustrativo de ensaio de válvula de segurança com fonte de teste de pressão, padrão de referência e válvula PSV.
Figura 4 — Arranjo ilustrativo do ensaio da pressão de abertura de uma válvula de segurança (PSV).

Neste exemplo, considera-se uma válvula com pressão nominal de abertura de 8,00 bar. Foram simulados três ciclos independentes de abertura.

Abertura da válvula

Pressão (bar) Tempo (s) 0 2 4 6 8 10 12 0 10 20 30 40 50 60 Popen = 8,0767 bar Pset = 8,00 bar Abertura

A curva ilustra o aumento da pressão até a abertura e a redução subsequente da pressão após a atuação da válvula.

Ciclos simulados

CicloPopen (bar)
18,08
28,05
38,10

Resumo dos resultados

Popen médio8,0767 bar
Erro médio0,0767 bar
Incerteza padrão combinada, uc0,0167 bar
Incerteza expandida, U (k = 2)0,0333 bar

Comparação dos quatro casos

Aspecto Manômetro Transmissor Pressostato PSV
Resposta Indicação mecânica mA / V / digital Estado discreto Abertura
Pontos distribuídos Sim Sim Trip/reset Evento
Histerese Relevante Avaliável Relacionada ao deadband Não tratada aqui
Repetibilidade Leituras Leituras Ciclos Ciclos
Resolução visual Importante Baixa influência Não aplicável Não aplicável
Taxa de aquisição Pouco crítica Pouco crítica Pode influenciar Importante
Tipo A Repetições Repetições Ciclos Ciclos
Tipo B Padrão, resolução Padrão, sinal elétrico Padrão, rampa Padrão, aquisição

Erro, incerteza e decisão de conformidade

O fato de o erro encontrado estar dentro de uma tolerância não significa necessariamente que a decisão metrológica esteja concluída.

Uma possível regra de decisão conservadora pode assumir:

|E| + U ≤ T
Equação (14)
Exemplo de regra de decisão com banda de guarda baseada na incerteza expandida.
Onde:
  • |E| = valor absoluto do erro de medição;
  • U = incerteza expandida associada ao resultado;
  • T = limite de tolerância adotado para a avaliação;
  • ≤ = condição de comparação utilizada nesta regra de decisão ilustrativa.
Esta expressão é apresentada apenas como exemplo de regra de decisão e não deve ser tratada como critério universal.

Atenção: a expressão acima é apenas uma possibilidade de regra de decisão. O critério adotado deve ser definido previamente de acordo com o requisito aplicável, o risco considerado e o procedimento metrológico utilizado.

Qual fonte de incerteza é mais importante?

Não existe uma resposta única. A principal contribuição depende do instrumento e do método.

Transmissor O padrão de pressão pode dominar o orçamento quando a medição elétrica apresenta desempenho superior.
Manômetro A resolução da escala e a repetibilidade podem superar a contribuição do padrão.
Pressostato A repetibilidade do trip e a velocidade da rampa podem ter influência significativa.
PSV A repetibilidade dos ciclos e a resolução temporal da aquisição podem ser importantes.

Portanto, um bom orçamento de incerteza não deve ser construído a partir de uma lista fixa de componentes. Ele deve surgir do modelo do processo de medição.

Fabricantes e equipamentos de referência

Os fabricantes abaixo foram utilizados como referências técnicas ao longo da elaboração deste conteúdo por disponibilizarem calibradores, controladores, módulos de pressão e documentação relacionada à calibração de instrumentos de processo.

Livros e materiais para aprofundamento

Além dos guias de metrologia e dos manuais dos fabricantes, livros especializados podem ajudar a aprofundar os fundamentos de instrumentação industrial, válvulas, segurança e controle de processos.

Observação importante: os livros abaixo são indicados como materiais complementares. Para requisitos metrológicos, critérios de aceitação, procedimentos de calibração e requisitos normativos atuais, consulte sempre os documentos técnicos, normas e especificações vigentes aplicáveis à atividade.

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Perguntas frequentes

Calibração e ajuste são a mesma coisa?

Não. A calibração determina a relação entre a indicação ou atuação do instrumento e uma referência. O ajuste é uma intervenção destinada a modificar o comportamento do instrumento.

Quantos pontos devem ser utilizados na calibração?

Depende do instrumento, do procedimento e da finalidade da calibração. Uma sequência de 0%, 25%, 50%, 75% e 100% pode ser utilizada como exemplo para instrumentos de resposta contínua, mas não constitui um número universal obrigatório.

Todo transmissor de 4–20 mA fornece 4 mA no zero?

Em uma configuração linear convencional de 0% a 100% da faixa correspondendo a 4–20 mA, 4 mA é o valor ideal no limite inferior. Entretanto, a configuração real do transmissor, sua função de transferência e seus parâmetros devem ser confirmados antes da calibração.

O que é deadband em um pressostato?

É a diferença entre a pressão de atuação e a pressão de retorno do dispositivo. Dependendo da aplicação, essa característica pode possuir limites mínimo e máximo especificados.

Calibrar uma PSV significa fazer um ensaio completo da válvula?

Não necessariamente. A determinação da pressão de abertura constitui apenas uma das avaliações possíveis de uma válvula de segurança. Outros requisitos dependem da aplicação, do código de projeto, do procedimento e da especificação aplicável.

Erro e incerteza são a mesma coisa?

Não. O erro representa a diferença encontrada na comparação. A incerteza caracteriza a dispersão dos valores que podem razoavelmente ser atribuídos ao resultado.

Um padrão mais preciso sempre melhora muito o resultado?

Não necessariamente. Em alguns processos, a principal fonte de incerteza pode estar no próprio instrumento sob calibração, na repetibilidade, na resolução, na velocidade de rampa ou no sistema de aquisição. O orçamento de incerteza permite identificar qual componente realmente limita o resultado.

Conclusão

A calibração de instrumentos de pressão deve ser entendida como um processo metrológico estruturado, e não apenas como a aplicação de pressão e observação de uma leitura.

O princípio de funcionamento do instrumento determina quais grandezas precisam ser avaliadas, quais fontes de incerteza são relevantes e como os resultados devem ser interpretados.

Nos manômetros, resolução, repetibilidade e histerese podem ter influência significativa. Nos transmissores, a cadeia de medição inclui também o sinal elétrico e, nos instrumentos inteligentes, variáveis digitais e parâmetros de configuração.

Nos pressostatos, a atenção se concentra nos pontos de trip e reset e no deadband. Já nas válvulas de segurança, a natureza dinâmica da abertura pode tornar a taxa de aquisição do sistema uma variável importante.

A avaliação da incerteza permite ir além da simples comparação entre erro e tolerância. Ela fornece uma indicação quantitativa da qualidade do resultado e permite compreender quais fatores realmente limitam o processo de medição.

Em calibração, tão importante quanto obter um valor é conhecer a qualidade com que esse valor foi determinado.

Referências técnicas

Guias de metrologia

JCGM 100:2008. Evaluation of measurement data — Guide to the expression of uncertainty in measurement. Joint Committee for Guides in Metrology, 2008.

JCGM 100:2008/Amd.1:2026. Evaluation of measurement data — Guide to the expression of uncertainty in measurement — Amendment 1: Nonlinearity in measurement models. Joint Committee for Guides in Metrology, 2026.

JCGM GUM-5:2026. Guide to the expression of uncertainty in measurement — Part 5: Examples. Joint Committee for Guides in Metrology, 2026.

Documentação técnica de fabricantes

PRESYS INSTRUMENTOS E SISTEMAS. PCON KOMPRESSOR-Y18 — Automated Pressure Calibrators with Built-in Air Compressor from Vacuum to 1000 psi / 70 bar. Technical Manual EM0360-01.

PRESYS INSTRUMENTOS E SISTEMAS. PCON-Y17 — Controlador de Pressão. Manual Técnico EM0318-05.

PRESYS INSTRUMENTOS E SISTEMAS. PCON-Y18-LP — Automatic Low Pressure Calibrator. Technical Manual EM0345-02.

PRESYS INSTRUMENTOS E SISTEMAS. MCS-XV — Calibrador Universal de Processo. Manual Técnico EM0257-12.

FLUKE CORPORATION. 729 Pro Automatic Pressure Calibrator — Users Manual. Rev. 3.

BEAMEX OY AB. MC6 — Advanced Field Calibrator and Communicator. Version 10.1.

BAKER HUGHES / DRUCK. DPI 620 Genii — Manual de instrução. Documento KP0541, Revisão C.

WIKA. Instruções de operação — Calibrador portátil de processo modelo CPH7000.

ADDITEL CORPORATION. ADT686 Advanced Digital Pressure Gauge / ADT673 Advanced Digital Pressure Calibrator — User Manual. Version 2506V02.


Nota técnica: este conteúdo possui caráter educacional e informativo. Procedimentos de calibração, ajustes e ensaios de instrumentos de pressão devem considerar as especificações do instrumento, os procedimentos aplicáveis, a rastreabilidade dos padrões utilizados, as condições de medição, os requisitos metrológicos, as instruções dos fabricantes e a responsabilidade dos profissionais envolvidos.

Os estudos de caso apresentados neste artigo utilizam dados simulados para fins didáticos e não devem ser interpretados como resultados experimentais, certificados de calibração ou critérios universais de aceitação.

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